Orientando Caminhos Profissionais: A Escolha Profissional
 
Influências no processo de Escolha Profissional

Por Tatiana Kowarski


Quais seriam as influências a que estamos submetidos ao efetuar uma escolha profissional? Algumas advém do meio externo, outras são mobilizadas por processos psíquicos internos. Ambas são inerentes ao processo de escolha e podem ou não configurar fontes de conflito. Devem, portanto, ser levadas em consideração, já que podem acarretar dificuldades e até mesmo impasses na realização de uma escolha autêntica, de uma escolha que seja fruto do seu próprio desejo.

Conheça agora algumas das principais influências no processo de escolha profissional:

* OS PAIS E A FAMÍLIA
Intensas pressões podem vir da família, tanto para que se escolha uma determinada profissão, quanto para que não se escolha outra. As expectativas, os valores e os projetos familiares, por mais bem intencionados que sejam, são como "marcas de um desejo do outro", que incidem sobre nós e influenciam nossas escolhas – explícita ou implicitamente. Muitas vezes, sem nem perceber, nos identificamos com estes desejos, nos misturando e nos embaralhando com eles. Com isso, perdemos um pouco a capacidade de nos diferenciarmos destes "desejos do outro". Discriminar "o que querem de mim" de "o que eu quero para mim" é o caminho a ser buscado. Qual é, de fato, o seu desejo?

* OS AMIGOS E O GRUPO SOCIAL
As pressões do grupo social ao qual fazemos parte também exercem forte influência. Do mesmo modo como ocorre com a família, muitas vezes nos misturamos com o desejo de nossos amigos – o que é natural, pois na constituição de qualquer grupo, o que o mantém unido é um certo sentimento de identidade que muitas vezes pode se confundir com a identidade profissional dos membros do grupo. O receio de não ser aceito pelo grupo em função de uma determinada escolha também pode interferir no processo. Deixar-se levar por esta influência – muitas vezes sem nem se dar conta disso – pode ocasionar conflitos e prejudicar a realização de uma escolha autêntica.

* O MEIO SÓCIO-CULTURAL
Também sofremos pressões em função do meio sócio-cultural no qual estamos inseridos. O sistema de valores sócio-cultural dita regras implícitas e explicitas quanto a quais profissões são consideradas fonte de status social e quais são vistas com preconceito. Além disso, é este contexto que determina, em grande medida, o tipo de informação que recebemos – o que vai influenciar fortemente as escolhas realizadas. Isto porque as escolhas se efetuam dentro de um universo minimamente conhecido e, portanto, determinado pelo meio sócio-cultural. Não se escolhe aquilo a que não se teve acesso, que não se sabe que existe. Outra questão relevante como influência direta na escolha profissional são os estímulos que nos levam a desenvolver determinadas aptidões e habilidades, bem como a desenvolver interesse por determinadas áreas. Estes estímulos também são determinados pelo meio em que nos encontramos.

* A DINÂMICA DOS PROCESSOS INCONSCIENTES
Ao considerar o inconsciente, leva-se em conta que uma escolha, qualquer que seja esta escolha, não é arbitrária. Há algo de uma "determinação" inconsciente, própria dos processos psíquicos de cada um. Isto se relaciona, inclusive, com os itens anteriores (a família, os pais, os amigos, o grupo social, a cultura) que exercem sua influência também através dos processos inconscientes. Segundo Sigmund Freud, maturidade seria a capacidade de amar e trabalhar. O tema da escolha profissional, para a psicanálise, está atravessado por diversos mecanismos inconscientes como atitudes defensivas e escolhas sintomáticas. Portanto, haja ou não conflito de escolha, estes processos nos atravessam sem que percebamos – até porque são dinâmicas inconscientes. Havendo necessidade, o psicólogo é o profissional capacitado para diagnosticar a atuação de mecanismos inconscientes na origem de suas dificuldades e poderá ajudá-lo a elaborar e a criar novas formas de relação com o conflito da escolha. Isso significa elucidar os "pontos cegos" nesta dinâmica dos processos inconscientes como forma de possibilitar novos arranjos psíquicos que abram caminho para a realização de uma escolha profissional. Muitas vezes um processo de orientação vocacional é suficiente para proporcionar mudanças na dinâmica psíquica; outra vezes pode ser recomendada a realização de uma psicoterapia. Um psicólogo poderá orientá-lo quanto a isso, se for o caso.

* OS PRECONCEITOS COM RELAÇÃO ÀS PROFISSÕES
Alguns preconceitos se relacionam com crenças instituídas acerca da realidade sócio-profissional como: "tal profissão não dá dinheiro", "não há mercado para aquela profissão", etc. Há ainda outras formas de preconceito, como os relacionados ao gênero feminino ou masculino: "essa profissão é para mulheres; sou homem, não posso fazer isso" ou "não existem mulheres nesta atividade, não vou conseguir me inserir". Trata-se, portanto, de estereótipos, de "pré-conceitos" sobre atividades e profissões. É preciso ter cuidado para não abrir mão de seus desejos em virtude destas influências. Manter o senso crítico e estar sempre atento são bons caminhos para não se deixar influenciar por estereótipos. A cada vez que você notar que já possui juízo formado sobre uma atividade ou profissão, pergunte-se: "minha percepção fundamenta-se em uma análise criteriosa e na construção de uma imagem correspondente à realidade desta profissão, ou estou tomando como verdade um mero estereótipo?"

* O LUTO PELO QUE NÃO FOI ESCOLHIDO
Escolher uma profissão, significar não escolher todas as outras. Muitas vezes o que está em questão na dificuldade de escolha é muito mais "o que se precisa deixar para trás" do que "o que se deseja levar em frente". Sempre há perdas em um processo de escolha: "perde-se aqui, para poder ganhar ali". E como em toda perda, seja material ou emocional, há o que se denomina "vivência do luto". Trata-se de elaborar a perda sofrida, para que seja possível deixar para trás o que se perdeu e seguir em frente. Sem a elaboração do luto pelo não-escolhido, pode-se ficar preso na indecisão, na imobilidade, sem conseguir "sair do lugar", configurando um impasse no processo de escolha profissional.


Condições facilitadoras da escolha profissional

Se o caminho para efetuar a escolha é tão complexo, se há tantas variáveis interferindo e até mesmo provocando conflitos e dificuldades, haveria como contrapartida condições facilitadoras para a realização da escolha profissional? Sim, é claro que há condições facilitadoras. São como os alicerces para a construção de seu projeto profissional, a saber:

* AUTO-CONHECIMENTO
Saber “quem você é” para saber “quem você quer ser”. Significa entrar em contato com seus valores, seus interesses, suas potencialidades, dificuldades e limites. Ampliar a auto-percepção abrindo caminho para discriminar o seu desejo.

* INFORMAÇÃO PROFISSIONAL
Para saber “quem se quer ser” é preciso saber “o que há para ser”. Há diversas fontes de informação, tais como guias de profissões vendidos em bancas de jornal, internet, universidades, etc. Pesquise, converse com profissionais, visite universidades e campos de atuação profissional. A informação é fundamental, inclusive, para corrigir distorções acerca do seu conceito sobre as profissões, confrontando dados de realidade e construindo conhecimento.

* EQUILÍBRIO EMOCIONAL
É fundamental para conseguir olhar para si e se enxergar. Perceber quem você é – articulando seu auto-conhecimento com as informações profissionais e os dados de realidade. Equilíbrio emocional possibilita bancar uma escolha, aceitar arriscar-se e apostar no seu futuro.

* AUTO-ESTIMA
Acreditar em si mesmo, acreditar na sua competência, acreditar em sua capacidade de se perceber e de efetuar uma escolha. Apostar no seu desejo. Escolher é um ato de coragem e a auto-estima é como a força que sustenta essa coragem.



Psicóloga responsável
Tatiana Kowarski (CRP 05-24145) é Orientadora Vocacional e realiza atendimentos,
atividades de supervisão e cursos a estudantes e profissionais da área, na cidade do Rio de Janeiro.
Também é psicóloga do Tribunal Regional Federal da 2a. Região (TRF)
onde atua nas áreas de Saúde e Recursos Humanos implementando ações de capacitação e desenvolvimento de pessoas.

Contatos: t.kowarski@uol.com.br

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